sexta-feira, 12 de maio de 2017

QUEM PAGA A CONTA

Quer dizer que, Estados e municípios podem, sim, pendurar suas dívidas numa moratória para o que devem a Previdência Social, essa que está em apuros financeiros, e ficar nada menos que três anos de carência sem pagar nada, cuidando apenas de suas dificuldades. Depois terá anos sem fim para tentar pagar o que deve, caso até lá não haja mais bondade do governo central.

Uma mesma situação favorável beneficia também as empresas devedoras da iniciativa privada que devem uma dinheirama para a Previdência. Maravilha! Mas o governo Temer (Michel, PMDB) afirma que o déficit previdenciário é enorme e essa conta precisa ser fechada. Sobra para quem essa obrigação governamental? É claro, para o lado mais fraco dessa questão: trabalhadores assalariados.

Mas não é para os banqueiros ricaços do ministro Henrique Meirelles que a cada trimestre, semestre e ano ganham lucros astronômicos e passam ao largo de qualquer crise brasileira? Não, senhor! A conta vai para quem menos pode pagar e todo mês vê seu poder aquisitivo diminuir. A grande massa de trabalhadores contribuintes da Previdência brasileira. É assim que Temer resolve a parada.

Daí a reforma da Previdência enfiada às pressas goela abaixo de quem precisa se aposentar no futuro, as novas gerações. Não é que não se precise de reforma previdenciária, não. Pode-se até precisar, mas não nos moldes da proposta do governo Temer. 

Tem mais para a turma do bem bom beneficiada unilateralmente pelo que se chama de reformas governistas. É a tal da reforma trabalhista que veio primeiro com terceirização irrestrita, e agora tenta aprovar apressadamente uma proposta reformista da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) rejeitada pela esmagadora maioria da classe trabalhadora.

Assim governa Temer sob pretexto de fazer reformas para melhorar a economia, enxugando gastos da iniciativa privada sem fazer reforma tributária. É apoiado por um Congresso de parlamentares vacilante, que só vota na base do toma lá me dá cá.

Mais ainda a seu favor, o governo Temer tem a orquestração de notícias que tenta criar um clima de reação positiva da economia, apesar do alto desemprego no país que supera os 14 milhões de desempregados, do poder aquisitivo em queda e consumo anêmico, que pode ficar pior.

Você acha mesmo que com baixos salários, instabilidade no emprego e perda de renda resolve os problemas da economia? Estou pagando pra ver esse filme em reprise.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

O ENEM DE AGNELO

ROBINSON Governo sem brilho
Houve um tempo em que Agnelo Alves, jornalista e político, fazia avaliação em seus artigos do governo de então. Para cada titular das principais pastas governamentais dava uma nota de zero a dez, e no fechamento a nota final do governo. Era uma espécie de Enem (o vestibular de hoje) na comparação  com os dias atuais. Dito isso, uma curiosidade: que nota Agnelo, se vivo fosse hoje, daria ao governo de Robinson Faria (PSD/RN) em seu estágio atual? Certamente, uma média de reprovação, se ouvisse as vozes da rua.

O governador Robinson Faria, que se elegeu com o discurso de ser o "governador da segurança", numa alusão que usaria a "tolerância zero"  para o aumento da violência no Estado, até aqui seu governo permanece sem deslanchar nessa área, assim como em outras também. Sem engatar uma segunda marcha, segue na primeira desde que assumiu há dois anos e meio.

Ao menos até aqui, nenhuma obra importante. Um de seus motes na publicidade que promete "Natal saneada 100%" continua sendo sonho. Nem a via sul até o Aeroporto de Natal, em São Gonçalo do Amarante, conseguiu entregar até agora. Resta um ano e meio para terminar seu primeiro mandato.

Na segurança pública, que deveria ser modelo de exportação, o Estado tem fraquejado feio com número assustador de homicídios, que ultrapassa o patamar recordista de mais de 800 casos só até início de maio. A televisão em seu noticiário repete esse triste recorde quase diariamente.

Se não deslanchou sequer na área em que jurou pôr ordem e progresso, imagine nas outras. Na saúde, os problemas continuam os de sempre. Hospitais com superlotação, sem leitos de UTIs e instalações  para receberem  pacientes, além de outros tantos problemas listados pela mídia local. Outro gargalo é a educação pública estadual com falta de professores e instalações ruins.

Não bastassem tais problemas em áreas de maior peso, a pretexto das dificuldades financeiras impostas pela crise nacional, o governo Robinson demonstra ser pobre em iniciativas. Esculhambou com o calendário de pagamento dos servidores e faz mais mais de ano que paga salários atrasados.

Tudo isso e mais. Em seu governo o funcionalismo caminha para o maior arrocho salarial, sem um centavo de reajuste aos mais de 80% dos servidores ativos e inativos que recebem ganhos modestos e defasados pela inflação. O empobrecimento dessa categoria segue ladeira abaixo. Sem demora, o teto logo se igualará a um ou dois salários mínimos.

Definitivamente, Robinson Faria faz uma gestão abaixo da média, até pior do que a antecessora Rosalba Ciarlini reprovada por ele e pela opinião pública, e  a quem tanto criticou, depois de romper com ela na condição de então vice-governador e seguir com seu projeto de governar o Estado.

Em meio a um governo sem brilho, por mais Robinson não esperava. Seu envolvimento em notícias de suspeita de receber propina em escândalo nacional, e apontado como contratante de funcionários "fantasmas" durante gestão na presidência da Assembleia Legislativa do RN.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

BRASIL IMORAL

A primeira vez que vi o alerta foi no Facebook. Pensei que fosse futrica da esquerda. Nada disso. Depois me convenci de que neste governo e Congresso do Temer (Michel, PMDB) tudo é possível e até mais do que em qualquer outro.

Já se manobra cancelar as eleições de 2018 por meio do Congresso, de acordo com notícia que circulou semana passada. Isso diante de partidos como PMDB, DEM e PSDB marcharem para uma inevitável derrota de seus candidatos nas urnas do próximo ano.

Contra esses partidos governistas depõem reformas apressadas e casuísticas como a da Previdência e do Trabalho assalariado, em vias de aprovação por uma maioria de parlamentares individualistas, que vota de acordo com o de sempre: é dando-se que se recebe.

Cargos e emendas parlamentares é a moeda do voto para comprar reformistas e fazer a vontade da  elite econômica. "Governo dá benefício a devedor do fisco para garantir apoio a reforma", destacou notícia da Folha de S. Paulo de sexta-feira, 5 de maio. Logo abaixo completa: "Projetos regularizam dívidas de empresas e produtores rurais".

Além dessas reformas previdenciária e trabalhista, os governistas não dormem com pesquisas divulgadas, como a da Datafolha, que aponta a liderança do ex-presidente Lula nas eleições de 2018, em todos os cenários possíveis.

A imoralidade da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para adiamento do pleito eleitoral do próximo ano, vem do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM/RJ), a pretexto de fazer coincidir em 2020 as eleições gerais, incluindo aí as municipais para prefeitos e vereadores.

Quanto casuísmo, minha gente, vai rolar neste Brasil de Temer até 2018. Conspirações contra uma  democracia que deveria ser limpa, sem vícios. Todavia, tudo vai depender, é claro, do povo. É dele que emana o Poder. O resto é, sem dúvida, tentar contrariar a maioria, a nação. 

sexta-feira, 5 de maio de 2017

À MERCÊ DA BANDIDAGEM

Uma paranoia toma conta das conversas: a insegurança. Nestes tempos de pouca polícia e muita bandidagem, cada roda de conversa tem gente que diz ter sido assaltada ou conhece alguém que foi vitima. Ainda bem que escapou, porque outras vítimas não têm tido a mesma sorte. Em assaltos, arrastões e homicídios, pode-se afirmar que Natal, capital deste Rio Grande do Norte, hoje está se rivalizando nesse quesito com o Rio de Janeiro. A marca de homicídios só este ano  – estamos iniciando maio – chega ao incrível patamar numérico de mais de 800 casos notificados. Todo dia, essa estatística aumenta na escalada da violência.

A sensação é que governo Robinson Faria (PSD) do Rio Grande do Norte fracassa em sua principal bandeira de campanha, que propôs ser o "governador da segurança".  No entanto, enfrenta em seus quase dois anos e meio de gestão pública o pior descalabro da criminalidade. O avanço desse recorde indesejável espalha-se por todo o território potiguar, desde a capital até os menores municípios potiguares, antes considerados cidades de zero ou baixa estatística de crimes.

Tenho impressão que Natal passou a ser uma daquelas cidades do faroeste americano: uma cidade sem lei. Os crimes se espalham desde bairros da periferia até áreas nobres, antes regiões urbanas respeitadas e tranquilas. Como numa situação de guerra surda em seu cotidiano, assaltos e homicídios ocorrem em toda parte, criando clima de insegurança sem hora marcada.

No dia a dia, é um crime ali, outro acolá, desafiando as forças de segurança pública, que defasadas em seus efetivos militar e civil, um Estado quebrado ou quase isso, não têm como conter o crime nem mesmo na capital, imagine em cidades menores do interior.

E qual o motivo de tanta violência e  criminalidade crescente no Estado? Ora, falta de investimentos ao longo do tempo por governos que se sucederam, e de ações preventivas numa área vital como a da segurança, assim como hoje também acontece em outras áreas não menos importantes a exemplo da saúde e da educação. Ou pelo menos não foram feitos os investimentos necessários.

Duas facções criminosas que lidam com o tráfico de drogas ilícitas infernizam o Estado, que seriam o Sindicato do Crime do RN, criada aqui mesmo, e o PCC (Primeiro Comando da Capital) originária de São Paulo, de acordo com  autoridades locais da segurança, em reportagem do jornal Tribuna do Norte. As duas disputam o território potiguar. São elas que espalham o terror por intermédio de seus exércitos de traficantes e filiados.

Está difícil a vidinha pacata para os natalenses, assim como para todo o povo potiguar, que clama por segurança. Nota-se que a questão da insegurança, hoje é problema nacional, pois a exemplo do Rio de Janeiro, antes cidade maravilhosa, a criminalidade cresce assustadoramente nas grandes cidades brasileiras e se propaga pelas menores. Desafio para ser combatido pelo governo central e Estados.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

IMPOPULARIDADE DE TEMER

TEMER Enfiando reformas goela abaixo
Remando contra a maré que rejeita seu governo, o presidente Michel Temer (PMDB) insiste em enfiar goela abaixo reformas apressadas sem discussão e sem aprovação pela maioria do povo brasileiro, incluídos aí, é claro, a classe trabalhadora assalariada, a menos beneficiada. Seria assim um pacto a honrar com a classe dominante exclusivista que investiu em seu apoio para a derrubada do governo petista que ele, Temer, era aliado e sucedeu após o impeachment?

Seja como for, o curioso nesse fato é que Temer tenta governar de costas para a nação, com uma maioria vulnerável no Congresso, que começa a desertar. Por que, então, ele insiste? Até aqui Michel Temer mostra pouca preocupação com as eleições de 2018 e até jura de pés juntos que jamais ambiciona a reeleição no ano que vem. Sua única preocupação é com as tais reformas da Previdência e do Trabalho, em detrimento de outras que empurra com a barriga: as reformas política e a tributária.

Porém, uma prova de que sua teimosia tem um custo político alto para seu partido e aliados, basta mencionar a notícia publicada no 1º de maio, Dia do Trabalho,pela Folha de S. Paulo, que destacou: "71% dos brasileiros são contra reforma da Previdência, mostra Datafolha". Nada menos que sete em cada dez brasileiros são contra reforma da Previdência, conforme registrou a reportagem baseada em pesquisa do instituto do próprio grupo do jornal.

Se é assim, com uma oposição tão forte nas ruas, avenidas e praças, qual a explicação de Temer para não ouvir o movimento sindicalista e até outros setores da sociedade brasileira que questionam desde a reforma da Previdência que ainda tramita no Congresso, passando por uma Terceirização irrestrita aprovada às pressas, e uma reforma trabalhista duvidosa, questionável e sem respaldo popular? Tem caroço debaixo desse angu – como diz a expressão popular.

Pois bem, nessa turbulência política segue nosso Brasil, com a insistência de Temer, arrogante, falante e poderoso sem dar bolas para a maioria que pede ao menos diálogo. No contra-ataque vem as oposições com os movimentos sindicais prometendo luta pelos direitos da classe trabalhadora. Nas manifestações de 1º de maio, lideranças sindicalistas afirmaram que a greve geral de 28 de abril foi apenas o começo dessa contraofensiva. Aguardemos, então, a marcha dos acontecimentos.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

LINHA DE EQUILÍBRIO

PROTESTO Foto divulgada pelo jornal espanhol El  País
Nestes tempos de temperatura alta no noticiário da política brasileira, em que as quatro principais revistas semanais de informação e opinião (Veja, Isto É, Época e Carta Capital) demonstram linhas editoriais tendenciosas, as três primeiras pró-governo e esta ultima de oposição, somente a imprensa estrangeira mostra isenção no noticiário sobre o Brasil, mantendo equilíbrio.

Como exemplo, podemos mencionar o site da BBC Brasil que ao noticiar a greve geral de sexta-feira, 28 de abril, destacou:"'Greve foi menor do que organizadores esperava, mas maior do que governo gostaria', diz cientista político".

Marco Antônio Teixeira, cientista político e professor do Departamento de Gestão Pública da FGV, segundo a BBC resumiu assim: "Acho que as manifestações, apesar de grandes, não foram do tamanho que os manifestantes esperavam. "Por outro lado, elas também não foram tão pequenas quanto o governo gostaria."

 A própria BBC  escreveu: "Não houve um balanço oficial sobre a quantidade de pessoas que aderiram à greve ou sobre os protestos espalhados nas principais capitais brasileiras. No entanto, para alguns analistas ouvidos pela BBC Brasil, o impacto delas só poderá ser medido efetivamente na semana que vem, quando parlamentares voltarem ao Congresso para debater as reformas criticadas pelo movimento." Eis aí, portanto, um equilíbrio editorial, isento de tendências A ou B.

O jornal New York Times noticiou assim: “Cidades brasileiras paralisadas por greve nacional contra a austeridade”. A BBC de Londres: “Brasil atingido por sua primeira greve geral em 20 anos”. O Le Monde francês: “Uma greve geral histórica, mas menor do que o esperado”. O El País da Espanha: “Greve geral desafia as reformas do governo brasileiro”.

Bem diferente, do que se leu na mídia brasileira sobre a greve geral, tanto nos jornais e revistas semanais, como o que se viu pela televisão e até nos sites noticiosos. 

TRAGÉDIA DA PANDEMIA

Com cerca de 300 mil mortos no Brasil pelo coronavírus, e um recorde em 24 horas de mais de 3.000 óbitos, a pandemia se tornou uma tragédia ...

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